Decorria o jogo entre as equipas da Argélia e da Eslovénia quando ouvi um comentário que achei interessante e que me leva a escrever estas linhas.
Um jogador da Argélia já estava "amarelado" quando, por uma jogada à margem das leis do jogo, lhe foi mostrado um segundo cartão amarelo e seguidamente o consequente cartão vermelho. Não tardaram os habituais comentários dos "entendidos" na matéria: "Na verdade o jogador tocou a bola com a mão, mas, tendo em conta que ele já ia em desequilíbrio e que não houve intenção deliberada de ludibriar o árbitro, acho que este podia condescender um pouco e não o punir com um segundo amarelo, sabendo que isso lhe custaria a expulsão do jogo. No entanto, o árbitro cumpriu com o que dizem as leis e contra isso não há nada a apontar."
Quase em simultâneo, ouvi uma notícia na rádio sobre um condenado à morte num dos estados dos Estados Unidos, em que esse condenado pediu ao juíz que preferia que a vida lhe fosse tirada, não pela tradicional injecção letal, mas sim por um pelotão de fuzilamento. O juíz em causa, depois de considerar os prós e os contras, anuiu com as suas pretensões. Também aqui surgiram de imediato as opiniões dos "entendidos" na matéria", no caso, a de um padre qualquer do país em causa, que ao ser interpelado sobre a questão respondeu: "Tirar a vida a um ser humano, quer seja por meio de uma injecção letal, quer seja por qualquer outro meio, é sempre um acto condenável, quer ética, quer religiosamente, mas uma morte provocada por um pelotão de fuzilamento é violência em cima de violência."
Confesso que se no primeiro caso não compreendi a condescendência, no segundo, não compreendi a ausência dela. E isto leva-me a uma pergunta que, se calhar, ninguém consegue dar-me resposta, (sim, porque as que existem, não me convencem) e que é a seguinte: "Afinal o que é a ética?" Diz-nos a filosofia: "É a disciplina que procura determinar a finalidade da vida humana e os meios de a alcançar, preconizando juízos de valor que permitem distinguir entre o bem e o mal." Um outro conceito estipulado é: "Conjunto de princípios morais por que um indivíduo rege a sua conduta pessoal ou profissional; código deontológico." O grande problema, é que quem interpreta o significado destas palavras são precisamente os seres humanos, os mesmos que julgam ou que deixam de julgar, que condenam ou deixam de condenar.
Todas as sociedades são complexas, mas a sociedade humana, dada a sua característica específica de ser dotada de raciocínio, como dizem os entendidos, é ainda mais complexa. Devemos ser condescendentes? Devemos. Devemos ser tolerantes? Devemos. Mas sobretudo, e antes de tudo o resto, devemos respeitar, e isso é algo que em tempo de condescendência, já quase não existe. Porque o respeito é como a felicidade, é feito de pequenos nadas e se existe a felicidade profunda e a felicidade superficial, também existe o respeito profundo e o respeito superficial e o tempo é de felicidade e respeito superficiais.
Se um condenado, tem como vontade última morrer por um pelotão de fuzilamento, não sejamos hipócritas a perdermo-nos em retóricas sobre éticas e religiões e tenhamos respeito pela sua vontade; quem sabe se isso não lhe dará alguma felicidade...
Um jogador da Argélia já estava "amarelado" quando, por uma jogada à margem das leis do jogo, lhe foi mostrado um segundo cartão amarelo e seguidamente o consequente cartão vermelho. Não tardaram os habituais comentários dos "entendidos" na matéria: "Na verdade o jogador tocou a bola com a mão, mas, tendo em conta que ele já ia em desequilíbrio e que não houve intenção deliberada de ludibriar o árbitro, acho que este podia condescender um pouco e não o punir com um segundo amarelo, sabendo que isso lhe custaria a expulsão do jogo. No entanto, o árbitro cumpriu com o que dizem as leis e contra isso não há nada a apontar."
Quase em simultâneo, ouvi uma notícia na rádio sobre um condenado à morte num dos estados dos Estados Unidos, em que esse condenado pediu ao juíz que preferia que a vida lhe fosse tirada, não pela tradicional injecção letal, mas sim por um pelotão de fuzilamento. O juíz em causa, depois de considerar os prós e os contras, anuiu com as suas pretensões. Também aqui surgiram de imediato as opiniões dos "entendidos" na matéria", no caso, a de um padre qualquer do país em causa, que ao ser interpelado sobre a questão respondeu: "Tirar a vida a um ser humano, quer seja por meio de uma injecção letal, quer seja por qualquer outro meio, é sempre um acto condenável, quer ética, quer religiosamente, mas uma morte provocada por um pelotão de fuzilamento é violência em cima de violência."
Confesso que se no primeiro caso não compreendi a condescendência, no segundo, não compreendi a ausência dela. E isto leva-me a uma pergunta que, se calhar, ninguém consegue dar-me resposta, (sim, porque as que existem, não me convencem) e que é a seguinte: "Afinal o que é a ética?" Diz-nos a filosofia: "É a disciplina que procura determinar a finalidade da vida humana e os meios de a alcançar, preconizando juízos de valor que permitem distinguir entre o bem e o mal." Um outro conceito estipulado é: "Conjunto de princípios morais por que um indivíduo rege a sua conduta pessoal ou profissional; código deontológico." O grande problema, é que quem interpreta o significado destas palavras são precisamente os seres humanos, os mesmos que julgam ou que deixam de julgar, que condenam ou deixam de condenar.
Todas as sociedades são complexas, mas a sociedade humana, dada a sua característica específica de ser dotada de raciocínio, como dizem os entendidos, é ainda mais complexa. Devemos ser condescendentes? Devemos. Devemos ser tolerantes? Devemos. Mas sobretudo, e antes de tudo o resto, devemos respeitar, e isso é algo que em tempo de condescendência, já quase não existe. Porque o respeito é como a felicidade, é feito de pequenos nadas e se existe a felicidade profunda e a felicidade superficial, também existe o respeito profundo e o respeito superficial e o tempo é de felicidade e respeito superficiais.
Se um condenado, tem como vontade última morrer por um pelotão de fuzilamento, não sejamos hipócritas a perdermo-nos em retóricas sobre éticas e religiões e tenhamos respeito pela sua vontade; quem sabe se isso não lhe dará alguma felicidade...
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