Arrasto-me sozinho entre a multidão,
de grilhetas nos pés a algemas nas mãos,
de grilhetas nos pés a algemas nas mãos,
de olhos vendados e sem saber quem sou,
sem saber d’onde venho nem p’ra onde vou.
Almejo um ermo fleumático para abrigo,
Almejo um ermo fleumático para abrigo,
a solidão e o esquecimento como amigos,
ser eu, de mim mesmo, o carcereiro
duma cela onde me farei prisioneiro.
ser eu, de mim mesmo, o carcereiro
duma cela onde me farei prisioneiro.
E assim, isolado e acorrentado,
de tudo e de todos ostracizado,
gritarei até fazer do meu clamor
um sussurro p’lo universo espalhado,
como suplício, a algum deus apiedado
p’ra que me oiça e afaste este torpor.
um sussurro p’lo universo espalhado,
como suplício, a algum deus apiedado
p’ra que me oiça e afaste este torpor.
Joel Mendes
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