Passeio, perdido, num tempo arrancado à força às entranhas
do universo. Bafejou-me um breve sopro nesta encruzilhada de trajetos,
também ela efémera. Com ele me embriago de felicidade, de tristeza, de raiva,
de amor, de ódio, de rancor, de frio, de calor, de fome, de sonho, de ilusão,
de saudade, de paixão, de compaixão, de dor, de solidão, de ausência, de
presença, de dúvida, de incerteza. Esta fugaz brisa, que é um pouco mais que
nada, e que, só por isso, faz de mim esta coisa primorosa chamada ser
humano, emana de mim, por todos os meus poros, esfarelando-se em todas as
direções e, não obstante a sua insignificância, interfere, sub-repticiamente,
nas demais aragens que vogam pelas galáxias e, todas juntas, acabarão por
se autodestruir.
Felizmente, no fim, todos os elementos encontrarão a sua
harmonia.
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