07/10/14

Breve Sopro



Passeio, perdido, num tempo arrancado à força às entranhas do universo. Bafejou-me um breve sopro nesta encruzilhada de trajetos, também ela efémera. Com ele me embriago de felicidade, de tristeza, de raiva, de amor, de ódio, de rancor, de frio, de calor, de fome, de sonho, de ilusão, de saudade, de paixão, de compaixão, de dor, de solidão, de ausência, de presença, de dúvida, de incerteza. Esta fugaz brisa, que é um pouco mais que nada, e que, só por isso, faz de mim esta coisa primorosa chamada ser humano, emana de mim, por todos os meus poros, esfarelando-se em todas as direções e, não obstante a sua insignificância, interfere, sub-repticiamente, nas demais aragens que vogam pelas galáxias e, todas juntas, acabarão por se autodestruir.

Felizmente, no fim, todos os elementos encontrarão a sua harmonia.

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