13/08/11

Thank You

Teria 60 anos, talvez, e aquele T H A N K  Y O U, tão compreensível quanto inaudível, que saiu dos seus lábios pintados de um vermelho vivo, acompanhado daquele sorriso tão doce, deixou-me a pensar: quais serão as preocupações do nosso cérebro enquanto ocupamos um determinado espaço público? São por certo as nossas contrariedades, as nossas alegrias, os noossos projectos, os noossos destinos, o nooosso bem estar, a nooossa companhia, o noooosso umbigo. Nunca, ou quase nunca, o nosso cérebro se ocupa com o nosso semelhante.

Era um dia de muito calor e as pessoas escolhiam os passeios à sombra. Tornava-se estreito aquele passeio para tanta gente, toda ela com tanta pressa de chegar não sei aonde. Só ela parecia não ter pressa nenhuma. Encostou-se a um caixote do lixo que estava preso na parede do edifício e esperou que a multidão que vinha em sentido contrário passasse. Eu seguia no sentido da multidão e quando cheguei próximo do caixote do lixo, encostei-me a ele do lado oposto ao dela dando a entender que era a vez de ela passar. Ela agradeceu-me com aquele T H A N K  Y O U e seguiu o seu destino. Quis dizer "Não tem de quê", porque na realidade, eu não tinha mesmo de quê, mas a única coisa que consegui foi abanar a cabeça. Alguns metros mais à frente senti que, por instantes, ela ainda me seguiu com os olhos, muito embora eu não me tivesse virado para trás.


1 comentário:

  1. Porque para cada um de nós só importa o nooooosso bem estar...

    Somos animais, mas somos egoístas!

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