11/10/10

A farsa

Recordo-me perfeitamente do rebentamento da “bomba”, quando há uns anos atrás a comunicação social denunciava os abusos sexuais de crianças da Casa Pia, acusando figuras públicas de estarem por detrás destes crimes hediondos. Carlos Cruz fora preso preventivamente por, na óptica do juiz, haver fortes indícios da prática de crime.


Lembro-me que, não obstante estes fortes indícios, se reuniram num almoço organizado por Fialho Gouveia, para demonstrarem solidariedade com o senhor, centenas de figuras públicas, das quais se destacavam: o maestro António Vitorino de Almeida, os cantores Rui Veloso, Paulo Gonzo e Paco Bandeira, os actores Raul Solnado e Marina Mota, a economista Helena Sacadura Cabral, os jornalistas Fernando Dacosta e Adelino Gomes, o criminologista Francisco Moita Flores e o ex-presidente da RTP e da Portugal Global João Carlos Silva.

Confesso que na altura fiquei perplexo com esta iniciativa, porque todos aqueles senhores não sabiam de forma alguma se estavam a apoiar um inocente ou um criminoso. Vamos pela pior das hipóteses: e se for um criminoso, não estará a ser precipitado este apoio? Toda esta farsa cheira-me a pressão sobre a justiça. Isto pensei eu. O tempo o dirá, continuei a pensar.

Agora que o dito senhor foi condenado, gostava de saber o que vai na cabeça dos solidários de quem pratica crimes destes… ou não acreditamos na justiça? Será que ela só é justa quando pune os miseráveis?

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